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O riso deu lugar às lágrimas na vida de dona Mariene Tavares, ao ser diagnosticada com a Covid-19. Superar uma doença como esta, que provocou mais de 1,6 milhão de mortes no mundo, é motivo para comemorar.

12/03/2021 | Noticias


Para a primeira dama de Mateiros, Mariene Tavares, profissional na área Social e de Educação do Município, que tem a voz como instrumento de trabalho, testar positivo para a Covid, foi uma situação desesperadora.
Mariene foi contaminada pelo coronavírus durante uma viagem a Brasília, quando foi madrinha de casamento de uma cunhada. Mesmo sem precisar ser internada, a Covid-19 lhe deixou muitas sequelas. Os primeiros sinais manifestados foram vômitos e sensação de fígado inchado. O fígado foi o primeiro a ser agredido, febre e sintomas gripais também foram se desencadeando. Mariene testou positivo e decidiu fazer o tratamento em Mateiros, pois o Município conta coma boa equipe de saúde.
Mariene é pastora e sua fé é inabalável. Isso fez com que os 14 dias que permaneceu em tratamento em Mateiros a mantivessem confiante em sua recuperação. Recuperação essa que contou com muitas vitaminas, antibióticos e noites em claro.
14 dias em isolamento para Mariene foram como se fossem um ano. Lágrimas, medo e vontade de ouvir sua própria voz, fizeram com que a primeira dama por muitas vezes tentasse cantar para ela mesma. “A coisa que mais gosto é cantar, louvar a Deus, isso era rotina em minha vida. Isso me fazia falta”, ressalta Mariene durante entrevista.
Aconselhada pela própria médica do Município, após 14 dias, Mariene buscou tratamento em Palmas com pneumologista, cardiologista e endocrinologista. O susto foi grande quando soube que parte de seu pulmão e fígado estavam comprometidos.
A infecção de seu fígado estava mais avançada. Em Palmas, por muitas vezes Mariene ouviu os médicos falarem em milagre. “Foi meu Deus que me deu outra oportunidade de viver. Foram inúmeras orações, medicações fortes que trouxeram a minha recuperação”, lembra.
Durante o tratamento, ela precisou se reinventar para continuar acreditando. "Eu sentia falta da minha casa, do serviço e da igreja. Não deixei de ter fé nenhum dia sequer", Mariene também chorou por muitas vezes, mas a volta para Mateiros lhe rendeu muitas lágrimas. Mas desta vez de alegria por estar de volta a sua terra.
“Voltar para minha casa, receber a notícia da cura foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Mas não foi fácil. Hoje eu faço um pedido a todos: não é tempo de abraçar. Em Eclesiastes, diz que há tempo para todo o propósito debaixo da terra. Que há tempo de plantar, tempo de colher, tempo de abraçar e tempo de afastar-se do abraço. Meu conselho: não é tempo de abraçar. Não é tempo de brincar, é tempo de se cuidar.
Para Mariene ficou a lição. Muita garra, muita fé, um suporte incondicional que teve da família, dos amigos, do povo do Jalapão. "Por muitos dias, eu ficava ali, quietinha, vendo TV, as notícias de pessoas morrendo toda hora", lembra. Ter alta e voltar para Mateiros para Mariene é como ver o sol nascer novamente. "Foi como sair de uma prisão", resume, otimista, ainda que tenha que lidar com sequelas de todo esse tempo lutando contra a doença.